Impasse no Rádio: Ferrari Ainda Busca a Dupla Certa para Hamilton

Impasse no Rádio: Ferrari Ainda Busca a Dupla Certa para Hamilton

Os primeiros 18 meses de Lewis Hamilton na Ferrari não poderiam ser resumidos sem um capítulo inteiro dedicado ao caos nos boxes envolvendo seu engenheiro de pista. O que começou como um ajuste técnico de rotina se transformou em um dos maiores enigmas da equipe italiana, e o problema, longe de resolvido, voltou a ganhar força nas últimas corridas.

O legado desgastado com Adami

Riccardo Adami, profissional experiente que já havia trabalhado com o tetracampeão Sebastian Vettel, com o antecessor de Hamilton na Ferrari, Carlos Sainz, e também com Daniel Ricciardo na época da Toro Rosso, foi o primeiro parceiro de boxe do britânico na Scuderia. Tecnicamente competente, Adami nunca encontrou sintonia com o heptacampeão mundial. As transmissões de rádio entre os dois se tornaram emblemáticas pela falta de clareza, com Hamilton frequentemente visivelmente irritado com informações incompletas ou pedidos estranhos da equipe durante as corridas - episódio simbolizado pela ironia do piloto, que sugeriu ao time "fazer uma xícara de chá" durante o GP de Miami de 2025. Ao final daquela temporada, sem nenhum pódio pela primeira vez na carreira e amplamente superado por Charles Leclerc, a mudança parecia inevitável.

Uma transição conturbada rumo a 2026

A surpresa não foi a saída de Adami, mas a demora para oficializá-la: a decisão só veio em meados de janeiro, deixando a Ferrari com pouco mais de duas semanas para preparar um substituto antes do shakedown do carro de 2026. O nome apontado para assumir de forma definitiva era Cédric-Michel Grosjean, profissional com oito anos de casa na McLaren, embora nunca tivesse atuado como engenheiro de pista. Para o início da temporada, foi Carlo Santi - que já havia trabalhado com o campeão mundial de 2007, Kimi Räikkönen - quem assumiu interinamente a função.

Rumores sobre a chegada efetiva de Grosjean se intensificaram no GP da Austrália, em março, quando ele foi visto no paddock com vestimenta da Ferrari, alimentando expectativas de que assumiria o posto a partir do GP de Miami, em maio. Mas, entre a Austrália e Miami, algo mudou: Hamilton voltou a render bem ao lado de Santi, conquistando seu primeiro pódio pela Ferrari na China e, em junho, sua primeira vitória com as cores da equipe, na Espanha. A parceria parecia finalmente ter encontrado equilíbrio, e o próprio chefe de equipe, Frederic Vasseur, chegou a sinalizar em março que a troca para Grosjean não era uma certeza: "Não vai acontecer por enquanto. Não digo que nunca vai acontecer, porque acho que Grosjean é uma boa contratação e pode funcionar bem com o Lewis... Mas atualmente o Carlo Santi está trabalhando de perto com ele e está indo muito bem. Vamos decidir juntos, mas não há pressa."

Grosjean desaparece do radar

Sete meses depois, o cenário é intrigante: Grosjean segue sem assumir qualquer função visível na Ferrari. No próprio perfil profissional do engenheiro, consta um período de pausa na carreira desde o início de 2026 - ele sequer aparece listado como funcionário da equipe atualmente.

Tensões recentes reabrem a discussão

Enquanto os resultados vinham, a questão parecia resolvida. Mas desde o GP da Itália, em Monza, a relação de Hamilton, de 41 anos, com a equipe azedou. A Ferrari não apoiou seu pedido por um código de conduta entre companheiros de equipe após o atrito com Leclerc, e o piloto ficou visivelmente contrariado ao ser voto vencido em um comitê interno que o obrigou a largar com pneus slick, e não intermediários, na Malásia - decisão que, segundo ele, custou a vitória.

O GP de Singapura trouxe o problema de comunicação de volta ao centro das atenções. Hamilton pediu repetidamente por rádio informações sobre os tempos dos rivais, sem obter respostas satisfatórias de Santi. O episódio culminou na decisão equivocada do piloto de permanecer na pista durante o período de safety car virtual, mesmo com a equipe pedindo insistentemente que ele fizesse o pitstop. O resultado foi a queda do pódio para o sexto lugar - uma falha de comunicação clara e custosa.

Uma equipe sob escrutínio

O episódio reacendeu questionamentos sobre a forma como a Ferrari conduz a relação com seu piloto mais experiente. Se há de fato problemas de sintonia com Santi, por que a troca para Grosjean, anunciada como prioridade no início do ano, nunca se concretizou? A situação expõe uma falta de planejamento que contrasta com a ambição da equipe de voltar a brigar pelo título com Hamilton a bordo. Até lá, a Scuderia precisa decidir, de uma vez por todas, qual caminho seguir nos boxes - antes que o problema volte a custar resultados importantes na reta final da temporada.