A exposição "Joaquín Torres García - 150 anos" chega ao fim de sua temporada em Belo Horizonte com um encontro simbólico entre artes plásticas e cultura popular. No dia 11 de outubro, domingo, às 15h, a área externa do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB BH) recebe uma apresentação especial do Volta Belchior, um dos blocos mais tradicionais do Carnaval da capital mineira, que aproveitará o momento para revelar o enredo de seu desfile em 2027.
O tema escolhido, "De Sonho, de Sangue e de América do Sul", extraído da música "A Palo Seco", promete levar às ruas de Belo Horizonte a latinidade presente na obra de Belchior, um dos nomes mais relevantes da música popular brasileira. A entrada é gratuita, mediante retirada de ingresso no site ccbb.com.br/bh ou na bilheteria do centro cultural, respeitando a lotação do espaço.
Uma ponte entre Torres García e Belchior
A escolha do enredo não é casual. Segundo Kerison Lopes, fundador e coordenador do Volta Belchior, a exposição dedicada ao artista uruguaio e sua obra "América Invertida" foi determinante para a definição do tema de 2027. "A América Latina sempre esteve presente em grande parte do trabalho de Belchior, inclusive em canções que são manifestos pela libertação do povo latino-americano, como 'Voz da América' e 'Quinhentos Anos de Quê'", destaca Lopes, lembrando que o cantor cearense se refugiou no Uruguai em um momento de pausa na carreira e chegou a gravar o disco "Eldorado" ao lado da dupla uruguaia Larbanois & Carrero e da cantora Laura Canoura.
Essa relação entre o artista brasileiro e outros países latino-americanos dá o tom da narrativa que o bloco levará para o Carnaval mineiro, reforçando um diálogo cultural que atravessa gerações e fronteiras.
Arte que dialoga com a rua
Para Cynthia Taboada, organizadora da exposição, a presença da obra de Torres García em manifestações populares como os blocos de Carnaval comprova a atualidade do legado do artista. Segundo ela, trata-se de "uma força que ativa as raízes, o ímpeto e a comoção de ser latino-americano", além de funcionar como resposta cultural a tensões sociais e político-econômicas que ainda marcam o continente.
O curador Saulo di Tarso, que estará presente na celebração de domingo, reforça que essa transversalidade é um objetivo buscado desde o início da temporada da mostra. Ele descreve o projeto como "um grande caldeirão onde as referências culturais, artísticas, musicais e performáticas se unem" para celebrar o que chama de pioneirismo decolonial de Torres García.
Os números de uma exposição histórica
Considerada a mais abrangente já realizada no Brasil sobre o artista uruguaio, "Joaquín Torres García - 150 anos" já recebeu mais de 190 mil visitantes no CCBB BH. A mostra reúne mais de 600 obras entre pinturas, desenhos, objetos, manuscritos e documentos históricos, além de trabalhos de mais de uma centena de artistas brasileiros e estrangeiros, modernos e contemporâneos.
- Apresentação do Volta Belchior: 11 de outubro, domingo, às 15h, área externa do CCBB BH
- Última data para visitação da exposição: 12 de outubro
- Entrada gratuita, com retirada de ingresso pelo site ccbb.com.br/bh ou na bilheteria
- Patrocínio da BB Asset via Lei Federal de Incentivo à Cultura, com produção da Cy Museum
Instalada nas Galerias do 3º Andar e no Pátio do centro cultural, a exposição conta com a colaboração do Museo Torres García e encerra seu ciclo em Belo Horizonte reafirmando como a arte erudita pode encontrar eco direto nas manifestações populares que movimentam as ruas da cidade todos os anos.